domingo, 11 de novembro de 2007

GRUPO AUTONOMIA

Blog aberto à discussão de questões relacionadas à educação de crianças.
O Projeto Autonomia, entre outras atividades, oferece um curso com vivências para crianças desenvolverem atributos como auto-estima, assertividade, posicionamento, respeito, disciplina, etc.
Nestes encontros, as crianças têm um espaço para discutirem e trabalharem os seus assuntos de interesse e ao mesmo tempo desenvolverem habilidades interpessoais.Temas a serem trabalhados
Encontro 1: Interação social
Encontro 2: Afetos, relações familiares, empatia, auto-exposição, disciplina
Encontro 3: Auto-estima, auto-aceitação, flexibilização, tolerância à frustração
Encontro 4: Escola, assertividade, relações de poder
Encontro 5: Bullying e preconceito, respeito ao outro
Encontro 6: Habilidades sociais e resolução de problemas
Encontro 7: Argumentação, empatia, superação
Encontro 8: Autoconfiança e perseverança

2 comentários:

flavia disse...

Mensagem de fim-de-ano a todos...

Olá Culpa, tudo bem?

Eu li um texto da Fernanda Young dirigida a você e achei muito original e assim, plagiando a brilhante idéia, decidi fazer o mesmo.
Eu estava querendo escrever uma mensagem de fim de ano para meus clientes, mas resolvi escrever diretamente a você, já que você os acompanha tão de perto e alguns o tempo todo, não é mesmo?
Para começar, parabéns pela sua dedicação e onipresença. Sempre que eu abro a porta para meus clientes, lá está você, ou então, quando não vem no início da sessão, aparece no meio sem a menor cerimônia! Seria inútil eu te pedir para não ocupar toda a sessão , eu creio...

Como disse a Fernanda, fim-de-ano você vem com tudo e adora uma reunião familiar! Estou para ver alguém que goste mais do Natal do que você! Pois aí vai uma dica de etiqueta: pega mal ficar sempre postada ao lado da mesa de doces, especialmente grudada em quem tem mais de 50 quilos! Que chato isso.
Sim, eu sei que você vai dizer que não fica lá o tempo todo porque também fica muito tempo entre pais e filhos, que nestas reuniões natalinas ficam relembrando os velhos tempos.
Sei que você vai dizer que não resiste a participar destes papos com tantos flashbacks porque sua morada é a memória. Eu chutaria no Sistema Límbico, região das emoções e sei que você não dá seu endereço certo para não perder sua capacidade de aparecer de surpresa a qualquer momento, não é mesmo?!
Este também é um ponto que te critico, embora você tenha o argumento incontestável de que jamais acompanha alguém sem ser convidada.

Não pense que eu quero te ver pelas costas, inclusive eu faço questão de sua presença no consultório junto a meus clientes, já que vocês não conseguem se largar e eu bem que aprecio as terapias de família.
Falando nisso, eu e você já tivemos grandes momentos! Como no caso da Fernanda com colégios católicos, você não faltava a uma aula de catequese comigo, lembra? Depois vieram muitos outros momentos de união memorável...
Agora, convenhamos, vir deitar comigo e ficar falando e falando sem me deixar dormir tantas vezes foi muita falta de educação. E agora vive fazendo isso com meus clientes. Francamente!

Sei que você se chateia porque andamos meio afastadas. Desculpe, mas eu acho ótimo! E afinal, você sempre aparece no meu consultório carregada por alguém e assim continuo a trabalhar contigo. Aliás, sabe que você tem aparecido muito mais que o medo? Ou tanto quanto, sei lá. Mas sobre este não quero comentar aqui para não fazer fofoca.
Meu pedido ao papai Noel é que você dê uma folga para meus clientes para que eles possam ver o que vejo: o quanto são pessoas éticas, bondosas e talentosas com um mundo pela frente! Minha teoria é que é difícil te largar porque você pode ser mesmo eficaz em pequenas doses e somente quando vem imediatamente acompanhada pela atitude, aliás, qualquer uma delas serve... mas, já te disse, seu problema é ter TOC, ou para leigos, você é obsessiva e compulsiva e sua especialidade é ruminar, ruminar, ruminar sem chegar a lugar algum! Cansativo...

Olha, esta carta não é só para te criticar, mas principalmente para te fazer um convite irrecusável! Pense com carinho, te damos passagem grátis, primeira classe. Este fim-de-ano, você poderia passar lá em Brasília, o que acha?? Lá é o lugar certo para você, pois está fazendo muita falta! Eu sei que alguns de meus clientes irão ficar com tanta saudade que poderão entrar em síndrome de abstinência, mas este efeito benéfico será bem administrado.
Sei que em Brasília eles pagam bem e nem descontam imposto de renda! Nem se preocupe, porque concurso é só fachada. Quem sabe você não gosta e fica?
Olha, estou insistindo nisso porque não quero te deixar na mão. É que este ano você não foi convidada para as festas lá em casa... este ano convidamos uma turma que não é muito afinizada contigo e, poxa, não vai pegar bem!
Desculpe culpa, é que este ano virão a ALEGRIA, O PERDÃO E O AFETO e eles prometeram uma festa de arromba!!

Feliz Natal, Feliz 2008!
Flavia Krahenhofer
CRP 05/34403


Visite o blog: http://grupoautonomia.blogspot.com/ do PROJETO AUTONOMIA e se você quiser, pode escrever sua carta de fim-de-ano também. Aproveite o espaço, fique à vontade.

flavia disse...

...O amor é em si um sentimento avassalador, porque rompe defesas. Quando amamos, nos tornamos emocionalmente mais vulneráveis e nossas áreas mais frágeis se tornam evidenciadas pela necessidade que temos daquela única pessoa. É um tanto assustador amar e comprometer-se com alguém que nos é muito importante. Inúmeras pessoas não toleram esta emoção intensa e fogem dela não se fixando em ninguém. O que elas não toleram não é o amor ou apaixonamento e sim a fragilidade que a abertura a uma outra pessoa ocasiona nas defesas tao bem construídas para se funcionar num mundo competitivo.



Deste temor deriva o "usar o outro", aquele que quer transar com todas, aquela que só quer seduzir, as ações em função do ego e não do amor. Se a pessoa não arrisca amar, ela também se protege do sofrer as perdas inevitáveis da vida. Mas se o indivíduo somente se protege o tempo todo, também não aprofunda sentimentos e perde a sensação única que a união profunda com outra pessoa acarreta.



Daí ele ( O amor) é dosado pela maioria de nós, que suporta uma quantidade de amor em doses homeopáticas. (Falamos aqui de amor real, profundo e autêntico e não do amor propagado na mídia).

Porém, como somos seres agregadores e sociais, nada consegue calar este instinto de entrega afetiva.

Neste descompasso, ocorre a substituição do desejo real de ser amado por uma camada de estratégias socias em tentativas de ser aceito.

Para ser aceito, é preciso ser o melhor, pois funcionamos em um clima de competição: um ganha e o outro perde. Desde criança, formula-se 2 estratégias: o tentar ser obediente ou o se destacar sendo rebelde. A compulsão de se mostrar bom e eficiente está entranhada em todos.



Existe uma espécie de tristeza íntima por não sermos capazes de amar tanto quanto poderíamos. Temos um potencial enorme e não utilizamos.

O desejo de amar/ser amado é uma coisa só. O dar e receber também. O bebê reprimido no seu receber, nem aprende a dar.



Quando o desejo de amar e ser amado é barrado (e todas as pessoas sofreram algumas privações neste sentido), cria-se um artifício: o de querer ser admirado. Esta é uma necessidade irreal que disfarça uma necessidade real de amor. Mas esta última requer uma vulnerabilidade. O amor admite a entrega e ser admirado só admite a superioridade de um sobre um outro. Esta barreira ou repressão disfarça um desejo que deveria ser exposto e aceito. Este disfarce cria a falta de autenticidade e alimenta a sensação de que o mundo não é confiável para ninguém, porque todos têm muitas máscaras sociais.

Esta barreira cria uma tristeza, sentimento de tédio, solidão ou vazio e não adianta o indivíduo ser aclamado. Depois que ele se acostuma com o sucesso, logo volta ao seu estado normal: se antes era carente vai continuar carente.



Para se romper esta barreira o primeiro passo é ficar observando esta compulsão de querer ser o número um, bem como a vergonha de se entregar ao amor (auto-imagem idealizada). Após admitir a compulsão é preciso entender sua natureza. De onde ela se origina e o que encobre. E o terceiro passo é perceber o sentimento de tristeza e desânimo ou pressão que acompanha toda essa armação.



A energia que poderia ser canalizada para o prazer de viver e da auto-realização é desviada para tentativas de manutenção de padrões irreais muito elevados de comportamento socialmente aceitos. Atualmente, ninguém agüenta sentir-se vulnerável. Se é para ter um defeito, que seja o orgulho, a vaidade, a ansiedade, a pressa, a soberba. Estes defeitos ou traços fardos são os menos desvalorizados, porque têm uma certa utilidade para a competição.



Admitir que somos carentes e vulneráveis e que alguém tem que começar a ter coragem de ser mais aberto para aumentar a confiabilidade na natureza humana é ser fraterno e fazer assistência globalizada.

A luta para provar alguma coisa nos torna orgulhosos e autocentrados. O resultado disso é que qualquer crítica derruba a auto-estima. O psiquiatra Flavio Gikovate explica que ele observa hoje no consultório um narcisismo generalizado na sociedade.

O narcisista construiu uma auto-imagem muito forte, que procura manter a um preço muito alto ou, traduzindo: o preço de ter seus sentimentos anestesiados por um cabedal de “deveria”. Ele exige muito de si e dos outros, exige eficiência, precisa estar em paz ao se olhar no espelho, com uma ótima imagem seja física ou intelectual.



Um bom amigo fez uma grande observação uma vez: “O mais triste não é que não existam pessoas dispostas a amar e sim que existem muito poucas pessoas dispostas a serem amadas”.

Nesta linha de raciocínio, é realmente incompatível querermos amar e ser amados sem abrir mão da auto-imagem controlada e fabricada. Dizem que a auto-estima vem da pessoa sentir-se amada e que não adianta dizer “ame-se”, assim do nada...



Acredito que a auto-estima provém da coragem de sermos autênticos e de perceber que quando nos damos ouvidos começamos a entender nossas reais necessidades. E é a satisfação dessas reais necessidades que nos traz bem-estar efetivo e eleva nossa auto-estima.

E um fato interessante ocorre a partir daí. Como nossa vida é energética, quando paramos para entender nossos reais anseios independente do que nos dizem que é certo, a vida responde colocando na nossa frente situações que favorecem estas descobertas. A energia flui quando finalmente destampamos nossos reais desejos. Por exemplo, se o indivíduo se dá conta que precisa amar e ser amado, mas que procura realizar isso cheio de exigências, ele percebe que ali é um buraco sem fundo, nunca preenchido. Seus instrumentos de busca de afeto estão equivocados, a serviço de sua idealização. O sucesso tem muito pouco a ver com o amor.

Mesmo em livros de auto-ajuda, o amor deveria ser separado da palavra sucesso, sabedoria, ser bem-sucedido, conseguir obter algo, atingir objetivos.



A palavra amor deveria estar amparada por palavras como: auto-aceitação, momento presente, sentir verdadeiramente, olhar para si, autenticidade. Soltar-se.